quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Carne da minha carne
Que reencarnação, que nada! Nós, humanos, guardamos informações culturais genéticas de nossas tribos de origem. São informações tão precisas que, no primeiro encontro com um bom número desses genes num só indivíduo, somos capazes de demonstrar imediata empatia. Sim, simpatizo mais com os meus próprios. Num mundaréu de pessoas, continuo vetando os inimigos de meus ancestrais, só de olhar a cor da pele, o cabelo, os olhos, o dedo mindinho, etc. Destruo o outro que descende do inimigo de meus bisavôs, aprovo as tribos vizinhas com quem vez por outra nos casávamos, partilhávamos conhecimento, plantávamos e colhíamos. E é assim que a sociedade continua se organizando, exatamente como no tempo das cavernas.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Vida
Interessante, por exemplo, como todos os meses esqueço o destino biológico que me foi conferido para logo ter a lembrança desagradável das dores. Somos todos tão cheios de vida que não conseguimos pensar no que de fato somos: um pedaço frágil de carne. Imaginar que um dia morreremos, então, nem se fala, morreremos todos uma única vez. E é tão fugaz a memória quando fundamentada na observação do que acontece ao outro...
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Nós, os miseráveis
Hoje em dia, o ser humano é tão miserável que não consegue ter qualquer relação com outro que não implique a questão monetária.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Bobagens que colocam na cabeça de garotas
Cada dia que se passa, eu odeio mais nossa cultura machista, que deixa meninas adolescentes desenhando coraçõezinhos no caderno, escrevendo um diário que busca revelar os mais secretos sentimentos, cantando músicas de Justin Biber, assistindo filmes toscos como Eclipse, torcendo para um dia a fantasia virar realidade e encontrar, no primeiro olhar, o amor fulminante de suas vidas. Shit!
sábado, 7 de maio de 2011
CHÃO
Meu coração é grande como as terras do país, com áreas em climas diversos, chãos montanhosos, férteis, secos... No nordeste, com pouca água, terra pedregosa, com um sol que irradia para bons frutos - que não se encontram em qualquer lugar - trabalho para cuidar sempre; em terra roxa, nasce até o que não foi plantado, mas neste chão tenho consciência, fica somente o que eu permitir. Tenho me ocupado quase disciplinadamente a queimar jardins de rosas inúteis, que tanto teimam em brotar. De tudo, sempre guardo um punhado de sementes que um dia jogarei fora ou plantarei em algum outro lugar, deixo guardadas no sótão, presas num pote de vidro. Me dizem que vou arruinar o solo com esse tipo de prática, mas eu mesma não penso nisso, este território tem apenas um dono e não há nada o que dividir.
domingo, 24 de abril de 2011
Lição de física
Restauradas as qualidades do tempo
A ausência de movimento
ensina a falta que a tempestade faz.
A ausência de movimento
ensina a falta que a tempestade faz.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Agradeço ao amor
Por tudo o que já ofereceu e ainda é capaz de criar, agradeço. Pelo tempo gasto fora de hora em conversas nas praças com os amigos, principalmente, nos dias em que haviam coisas muito importantes para fazer, isto só prova o quão mais importantes foram aqueles momentos. Agradeço pelo tempo gasto em mesas, de almoços e bares, regados a cervejas e risos, pelo já dito "tempo de qualidade". Agradeço pelo beijo na boca, pelas surpresas e brincadeiras bem intencionadas. Agradeço ao amor pelas gentilezas incutidas nos gestos e palavras mágicas: muito obrigada, sorriso, aperto de mão... Agradeço por provar que a vida é infinita e que há tanto de bom a se fazer. Ao amor, só agradeço e contemplo, principalmente pela esperança que insiste em trazer todos os dias.
Assinar:
Postagens (Atom)