Restauradas as qualidades do tempo
A ausência de movimento
ensina a falta que a tempestade faz.
domingo, 24 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Agradeço ao amor
Por tudo o que já ofereceu e ainda é capaz de criar, agradeço. Pelo tempo gasto fora de hora em conversas nas praças com os amigos, principalmente, nos dias em que haviam coisas muito importantes para fazer, isto só prova o quão mais importantes foram aqueles momentos. Agradeço pelo tempo gasto em mesas, de almoços e bares, regados a cervejas e risos, pelo já dito "tempo de qualidade". Agradeço pelo beijo na boca, pelas surpresas e brincadeiras bem intencionadas. Agradeço ao amor pelas gentilezas incutidas nos gestos e palavras mágicas: muito obrigada, sorriso, aperto de mão... Agradeço por provar que a vida é infinita e que há tanto de bom a se fazer. Ao amor, só agradeço e contemplo, principalmente pela esperança que insiste em trazer todos os dias.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Recomeçar
Tento fazer quase tudo certinho, quase tudo que interfere no outro, e vou machucando e sendo machucada mesmo assim. Penso em como poderia ter sido melhor, em quantas coisas poderia ter feito melhor, como poderia ser melhor humano, profissional... Não falo apenas de dez, vinte anos atrás. Como poderia ter sido melhor nisso ou naquilo hoje pela manhã. Fotografia, por exemplo, é uma desgraça para os olhos do fotografado, o passado já era. Refaço os passos dados na memória, fico nessa angústia de tentar encontrar solução do passado no presente. Por conta deste mau costume, às vezes, tenho medo do que possa consumir de tempo. Vício que a vida colocou na cabeça de terminar histórias sempre com final feliz.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Sobre a colheita e os frutos
Falando baixo: "vaidade das vaidades, tudo é vaidade...", dizia o Eclesiastes. O mundo olha uma planta frutífera simplesmente para saber se esta tem frutos que interessem, e não se tem frutos interessantes. O faminto que por ela passar, esquece de qual das plantas veio o alimento. É só para isso que servimos ao outro, nada mais. O mundo normalmente é bem feroz em seus julgamentos de bons frutos, mas não é nada pessoal. Todos humanos, fazer o quê.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Canção do exílio em Timor
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam,
É claro que não gorjeiam como lá.
Esse céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores.
Nossas flores têm mais vida,
Mas não temos mais amores.
Quisera Deus que eu viva,
Morra ou até volte para lá.
Que eu seja como a gaivota
E também como o sabiá.
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam,
É claro que não gorjeiam como lá.
Esse céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores.
Nossas flores têm mais vida,
Mas não temos mais amores.
Quisera Deus que eu viva,
Morra ou até volte para lá.
Que eu seja como a gaivota
E também como o sabiá.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Adoro esse poema!
LIBERDADE
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
domingo, 1 de agosto de 2010
Palavra indevida
Estou muito triste por concluir que inteligência é não olhar para os lados, olhar pouco para dentro e muito para frente. Se inteligência fosse olhar para os lados, veria claramente como estão meus companheiros e os ajudaria quando precisassem, o mesmo, é claro, por fé, também aconteceria comigo. Se fosse olhar para dentro, saberia o que de fato me afeta e não me machucaria mais com pequenas coisas da vida. Mas inteligência é olhar para frente como um animal de carga. Caminhar sem parar, sem pensar... A vida, infelizmente, pede que eduque meu comportamento.
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